Noites estranhas

Bom dia!
Passados os dias mais rigorosos do inverno, O Hiperbólico deixa de hibernar. A partir desse instante, está no ar mais um dos nossos peculiares folhetins. Peculiares porque são escritos de uma forma inédita, por dois autores tresloucados e perdidões. Isso porque cada um escreve um pedaço de acordo com o que lhe der na telha, e depois o outro tem que se virar e dar uma sequência (coerente, de preferência) para a história. Ou seja, a gente começa sem saber onde vai parar. A gente também não sabe direito as novas regras ortográficas (nem as antigas!) mas a gente tentamos.


Noites estranhas

Era quase meio dia quando chegou em casa, abriu o portão e apanhou as correspondências. Já na cozinha começou a examinar o amontoado de papel. Folhetos de lojas, algumas contas e uma folha de caderno amassada. Pensou ser mais uma brincadeira das crianças da escola do bairro que insistiam em colocar coisas estranhas nas caixinhas de correio da vizinhança.

No bilhete algo escrito lhe chamou a atenção. Uma mensagem de poucas palavras sem assinatura: “Adorei o seu sorriso. Espero que amanhã possa vê-la novamente”. Bobagem, pensou ela. Realmente aquelas crianças estúpidas estavam querendo infernizar o dia de alguém.

Abriu a geladeira e apanhou uma lasanha congelada. Paula odiava lasanha. Lembrou que deveria ter passado no mercado antes de voltar para casa. Agora pouco importava. Eram quase 13h e ela precisava comer algo rápido e voltar para o trabalho. Assim fez. Alguns minutos no micro-ondas, comeu um pedaço, deixou o restante sobre a pia, escovou os dentes, retocou a maquiagem e voltou para a loja de roupas a poucas quadras de casa.

A tarde fora monótona e infinitamente longa, com poucas vendas e muita gente entrando para dar apenas uma “olhadinha”. Nada irrita mais uma vendedora do que os olheiros. A mulher obesa que pede uma calça quatro números menor, reclama do tamanho da confecção e se irrita quando lhe oferecem algo maior. Se quiser realmente se vingar de alguma cliente experimente oferecer-lhe uma roupa um número maior. Elas preferem não respirar dentro de uma calça (que parece ter sido embalada a vácuo) a admitir que precisam emagrecer um pouco. E saem da loja bem faceiras, com um carnê de quinze prestações na bolsa e, na sacola, uma calça jeans que, uma vez vestida, as faz parecer um colchonete enrolado e amarrado.

Trabalhar na loja da tia era cômodo, pois o parentesco lhe proporcionava mordomias, mas Paula constatou que não dava mais para adiar: precisava dar um rumo profissional à vida. No segundo semestre do curso de Sistemas da Informação, decidiu que ia procurar um estágio o quanto antes. Mas por hoje, bastava terminar aquele dia aparentemente inútil.

Às 22h40min, quando saía da faculdade, já podia sentir a maciez dos seus lençóis de malha. Mas uma surpresa a deixou intrigada: um carro, aparentemente estacionado em frente à faculdade, arrancou assim que seus olhos cruzaram com os do motorista. Podia perfeitamente ser coincidência, mas aquilo ficou-lhe martelando na cabeça, principalmente porque a escuridão das películas e da noite não permitiram ver a face do misterioso condutor.
Teria esse fato alguma relação com o bilhete da caixa de correspondência? Descubra no próximo capítulo.

2 comentários:

caroline disse...

mto bom...continue escrevendo pa fiquei curiosa..hihi

Leonardo I disse...

Muito bom. Gostei do estilo e do suspense instigante. Ganharam mais um seguidor =DD

Abraços!